| Irmã Rosângela relata drama vivido no Haiti e fala da perda da Drª Zilda Arns |
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Durante a reunião da equipe de
coordenação nacional das CEBs, realizada em Brasília, de 28 a 31 de
janeiro, a religiosa Rosângela Maria Altoé, da Congregação Imaculada
Conceição relatou sua experiência vivida com o terremoto no Haiti, do
qual saiu com vida. Irmã Rosangela é secretária internacional da
Pastoral da Criança e estava com a Drª Zilda Arns no momento da
tragédia. Leia a abaixo a entrevista.
Como a senhora descreve o terremoto? Foi uma coisa de segundos. Aconteceu um estrondo muito grande e, a partir daí, o prédio começou a balançar e tudo começou a cair. Eu estava ao lado da Drª Zilda. Ela conversava com o padre e nesse momento começou o estrondo, ela saiu correndo em direção à escada. Foi aí que ela foi atingida e caiu. Eu caí do outro lado, numa laje, e fui escorregando. Quando eu consegui um momento de equilíbrio, fiquei em pé e a parede que estava na minha frente caiu pra fora. Então eu pulei e caí em cima dos escombros. Fui tentando me salvar algumas pessoas caíam. Foi assim que consegui sobreviver. Não tive tempo e não consegui olhar o que tinha acontecido com a Drª Zilda. Quando me dei conta, tudo já estava no chão. Realmente foi um momento de pavor para toda população que estava ali. A gente viveu um grande medo. Foi uma situação bastante apavoradora mesmo.
Qual foi sua primeira ação? Tentar socorrer alguém?
Foi um momento de extrema angústia. A
gente sabia que tinha pessoas soterradas; Nós ouvíamos gritos das
crianças ao lado de uma escola que tinha ruído. Eu me senti totalmente
impotente para fazer qualquer coisa, até porque o tamanho dos escombros
era muito grande e só podia ser removido com máquinas. Realmente foi
uma sensação de total impotência. Eu fiquei instalada na Base Militar a pedido do Tenente que comandava a base e também da Embaixatriz. Eu percebi que a cada momento iam chegando feridos para serem tratados nos hospitais da base. O que eu fiz nos dois dias seguintes que permaneci no Haiti foi ajudar a cuidar dos bebês das mães feridas que chegavam na base. Fiz tudo o que era possível, pois não tenho nenhuma formação de enfermagem. Havia muitos feridos, desde ferimentos leves até muito graves.
Vocês estavam no Haiti para criar a Pastoral da Criança?
Como foi o seu retorno ao Brasil trazendo o corpo da Drª Zilda? Como a senhora se sente hoje? Não vou dizer que é fácil. Eu tenho muita fé; converso com Deus o tempo todo porque eu sei que Ele está dentro de mim. Ele me ilumina, é minha fonte, é minha luz e Ele me dá força para eu ir superando a cada momento. Mas não dá pra esquecer as imagens vividas; tudo aquilo que eu escutei naqueles dias. São imagens e sons que voltam o tempo todo. Elas vêm como um filme e em muitos momentos provocam medo, pavor, aumento de pressão. Nesses momentos, volto a me colocar diante de Deus e conversar com Ele sobre toda essa situação. É a maneira que eu vou encontrando de superar e ao mesmo tempo de acolher e integrar tudo isso que veio de uma forma tão inesperada na minha vida. Qual seria a melhor forma de ajudar o povo haitiano neste momento? Eu acredito que tem muitas formas de ajuda. De imediato, precisa muito de pessoas que tenham conhecimento técnico para locomover escombros, ajudar no processo de reconstrução, atender os feridos. Acredito também que nesse momento é importante ainda uma solidariedade financeira, doação de roupa, comida, material de higiene porque eles não têm nada. Perderam tudo. Em longo prazo, seria importante e necessária a presença de pessoas que soubessem fazer um trabalho de escuta, porque as marcas são e serão muito fortes de agora em diante. Com certeza, mais do que nunca, agora será necessária a implantação da Pastoral da Criança. Se existe um povo que precisa de ajuda urgente, esse povo é do Haiti.
Revista Missões Fonte: CNBB - www.cnbb.org.br |
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